Cuidar da saúde mental
Cuidar da saúde mental deixou de ser tabu e passou a fazer parte das nossas conversas. Na internet, é comum ver brincadeiras sobre precisar de terapia para dar conta da vida moderna. Mas vale entender a diferença entre o autocuidado do dia a dia e o acompanhamento profissional.
Ler um livro, passear ao ar livre, ver um filme ou uma série têm, sim, um efeito terapêutico e ajudam a manter o bem-estar. Quando o objetivo é compreender padrões profundos, dar novo sentido a dores antigas e promover mudanças consistentes, porém, o caminho é a ajuda de um profissional.
Psicólogo, psiquiatra ou analista?
Quem decide começar um processo terapêutico costuma ter dúvida sobre qual profissional procurar. São três formações principais na área da saúde mental.
O psicólogo é graduado em Psicologia e está habilitado para fazer atendimento clínico, avaliação psicológica e psicoterapia. É também o único profissional autorizado a aplicar testes psicológicos.
O psiquiatra é graduado em Medicina e atua principalmente no diagnóstico médico e na prescrição de medicamentos. Alguns psiquiatras também se formam para fazer psicoterapia, mas isso não é regra da profissão.
O analista é quem fez formação em psicologia analítica ou em psicanálise. Essa formação é uma especialização que pode receber psicólogos, psiquiatras e, dependendo da instituição, pessoas graduadas em outras áreas.
| Profissional | Formação | O que faz |
|---|---|---|
| Psicólogo | Graduação em Psicologia | Psicoterapia e avaliação psicológica. Único profissional autorizado a aplicar testes psicológicos. |
| Psiquiatra | Graduação em Medicina | Cuida da saúde mental pela perspectiva médica e prescreve medicamentos. Alguns também fazem psicoterapia. |
| Analista | Especialização em psicologia analítica ou psicanálise | Conduz processos analíticos. Pode ser psicólogo, psiquiatra ou graduado em outra área, conforme a instituição. |
A psicologia junguiana
Na psicologia existem várias linhas de trabalho, como a terapia cognitivo-comportamental, a psicanálise, a Gestalt-terapia e a fenomenologia. Entre elas está a psicologia analítica, fundada pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, que é a abordagem com que eu trabalho.
O olhar junguiano tem algumas marcas:
- Uma visão ampla e integrada: vai além do modelo puramente racional e valoriza a intuição e a sincronicidade, as coincidências significativas entre o que acontece por dentro e por fora.
- Muitos caminhos de cuidado: acolhe tanto quem busca autoconhecimento e amadurecimento quanto quem enfrenta depressão, ansiedade, síndrome do pânico ou questões de casal.
- Atenção às grandes transições: olha com cuidado para momentos como a crise da meia-idade, a metanoia, quando a pessoa reavalia escolhas e projetos deixados pelo caminho, e quando a vocação, o daimon, volta a pedir espaço.
- Uma postura de diálogo: o terapeuta junguiano conversa, troca e caminha junto, sem se esconder num silêncio distante.
A primeira consulta
Começar a terapia é mais simples do que parece.
- O que traz a pessoa: pode ser a indicação de alguém, um incômodo que pede atenção, como ansiedade, pânico ou tristeza profunda, ou simplesmente o desejo de se conhecer melhor.
- A escuta: na primeira conversa, o profissional escuta com atenção o que trouxe você até ali e avalia se aquele acompanhamento cabe no trabalho dele. Se você precisar de algo fora da especialidade dele, como uma avaliação neuropsicológica, ele faz um encaminhamento cuidadoso.
- Os combinados: com os objetivos alinhados, vocês combinam a frequência dos encontros, semanal, quinzenal ou mais de uma vez por semana, e a forma de trabalho.
O vínculo terapêutico e o desconforto que faz parte
Mais do que a abordagem teórica, o que sustenta um processo terapêutico é o vínculo de confiança entre paciente e terapeuta.
O caminho do autoconhecimento nem sempre é confortável. Em alguns momentos pode surgir um mal-estar: mexer em feridas antigas incomoda por um tempo, e às vezes parece que o terapeuta pegou pesado. Quando isso acontecer, ou quando algo na sessão não soar bem, a regra de ouro é conversar abertamente sobre isso com o próprio terapeuta.
Técnicas expressivas
Para chegar a camadas mais profundas e cuidar de dores antigas, a psicologia analítica usa recursos chamados de técnicas expressivas. Não há motivo para receio: nenhuma delas exige talento.
- Sonhos: são vistos como recados do inconsciente, que trazem pistas para o amadurecimento e o autoconhecimento.
- Arteterapia: atividades artísticas funcionam como pontes para o inconsciente. O objetivo nunca é fazer obra de museu, e sim abrir um caminho livre para as emoções.
- Mandalas: tanto as mandalas artísticas quanto as mandalas de objetivos ajudam na organização interna, no foco e na integração.
Sigilo e atendimento online
O sigilo é um compromisso ético inegociável da psicologia. O que é dito em sessão fica protegido pelo sigilo profissional, como costumo dizer, morre com o terapeuta, salvo as exceções previstas no Código de Ética, como situações de risco à vida. É isso que cria um espaço seguro para falar sem medo de julgamento.
O atendimento online também se consolidou como um caminho acolhedor. E as técnicas se adaptam bem: você pode manter um caderninho de sonhos ao lado da cama, ou gravar um áudio contando o sonho logo ao acordar, e levar esse material e suas produções expressivas para a sessão.
Conclusão
A psicoterapia é um convite corajoso para cuidar da própria história. Não é preciso ter receio do processo nem se intimidar com as técnicas: cada passo acontece no seu ritmo, num espaço seguro e acolhedor. Se você sente vontade de olhar para a sua saúde mental com mais carinho, o primeiro passo pode ser uma conversa.
Vamos conversar?
O primeiro passo é uma pré-consulta online, para você me contar o que está vivendo e a gente ver juntos se esse é o caminho. Atendo online para todo o Brasil e presencialmente em Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo.
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